Juliano Farias
Executivo de growth
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Seus gostos são autênticos ou apenas mais um fruto dos algoritmos?

Juntar os amigos para fazer uma “festa das cores”, ir para Jericoacoara nas férias, trocar o espresso pelo iced latte na cafeteria, mudar toda a decoração da casa para tons neutros a fim de conquistar um ar mais “aesthetic”. 

Eu aposto que você já viu por aí algum vídeo sobre esses temas ou até já fez alguma dessas coisas. Por isso, hoje eu trago a seguinte reflexão: será que nós realmente gostamos do que gostamos ou estamos apenas sendo persuadidos pelos algoritmos?

Tenho a impressão de que a minha geração - os millenials - foi a última que teve a oportunidade de viver em um mundo sem grandes influências digitais. Eu ganhei meu primeiro computador com 12 anos e, na época, mal tinha acesso à internet - meu uso era restrito pelos meus pais ao período das 14h de sábado às 18h de domingo, que era quando a internet discada era gratuita (quem aí lembra do barulhinho da conexão?). 

Por volta de 2007 minha diversão era conversar com meus amigos da escola pelo MSN e publicar depoimentos coloridos e cheios de emoticons - ou emojis, como são conhecidos hoje em dia - nos perfis deles no Orkut. Não existiam blogueiras fitness, nem coachs e muito menos gurus do marketing para me dizer que eu precisava emagrecer, investir na bolsa de valores ou trabalhar enquanto eles dormem. Também não existia esse bombardeamento de conteúdo que a gente recebe a cada atualização de feed no Instagram ou no TikTok. 

Por isso, arrisco dizer que, naquela época, éramos muito mais autênticos com relação aos nossos gostos. Nossas influências musicais vinham dos CDs (ou discos) que nossos pais ouviam, nossa escolha por uma cor de roupa não era proveniente das dicas de uma influencer de moda, nossa apreciação por determinado gênero de filme não era resultante da aba "Principais escolhas para você” da Netflix.

Tive contato com esse tema pela primeira vez numa newsletter do The Summer Hunter e, desde então, tenho procurado por dados que comprovem a influência da internet e, mais precisamente, das redes sociais nas nossas vidas. 

Uma pesquisa nacional realizada, em 2019, pelo DataSenado em parceria com as ouvidorias da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, por exemplo, revelou que 83% dos brasileiros acreditam que as redes influenciam muito a opinião das pessoas. Infelizmente eu não encontrei dados mais recentes sobre este assunto, mas, particularmente, acredito que o aumento do uso de telas durante a pandemia é um fator que pode influenciar uma pesquisa futura.

Se, assim como eu, você se sente incomodado diante dessas questões, você provavelmente está provando o gostinho da ansiedade algorítmica, termo usado para dar nome ao sentimento de que não temos controle sob os mecanismos de recomendação do meio digital.

Neste artigo no The New Yorker, o escritor Kyle Chayka diz que “assediados por recomendações automatizadas, somos deixados a adivinhar exatamente como elas estão nos influenciando: em alguns momentos nos sentimos mal percebidos, em outros, a precisão é assustadora”. Resumindo: às vezes o algoritmo erra feio, às vezes ele acerta na mosca e, em ambos os casos, o sentimento que fica é de desconforto.

Já Ana Paula Passarelli foi além no artigo escrito para a Exame. Para ela, nós nos tornamos dependentes desse mecanismo: “a gente desaprendeu o básico sobre viver e se organizar porque delegamos aos algoritmos os puxões nas nossas próprias orelhas. Sem notificações, é como se não tivéssemos para onde ir ou o que pensar”.

Depois de ler tanta coisa sobre esse assunto, eu levantei diversos questionamentos para mim mesma: será que, num mundo onde a internet não existisse, eu realmente ia apreciar os livros da Colleen Hoover ou as músicas do Harry Styles? E vou além: quem é você fora das redes sociais?

Desde já, peço desculpas caso essa pergunta alugue um triplex na sua cabeça, mas minha intenção é essa mesmo. 

Nos vemos por aí!

AUTOR DO TEXTO:
Jéssica Ramiro
Jornalista | Redatora
É formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Faculdade IELUSC e já realizou diversos cursos nas áreas de produção de conteúdo e gerenciamento de mídias sociais.

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